Os dias foram passando, não mudou muita coisa e eu me sentia triste. Engraçado, tinha sonhado tanto com esse momento e estava triste. Ninguém fala como é. Sua vida muda totalmente. Eu trabalhava fora, fazia tudo dentro de casa, saia a hora que queria e voltava a hora que queria, mesmo durante a gestação. Agora ficava em casa o tempo todo, não saia para nada, não podia fazer nada em casa, tinha que dormir quando o Miguel dormia e tinha que esperar as pessoas fazerem as coisas para mim (essa era a pior parte, depender dos outros). Ainda bem que na maioria das vezes os outros era a minha mãe, mas mesmo assim. Ter que esperar alguém para ir na rua comigo, me deixava ainda mais triste.
Até que um dia, chorei muuuuito na casa da minha cunhada, deixei todos preocupados, mas decidi que naquele dia meu resguardo chegava ao fim, se não ia parar o hospício. No dia seguinte acordei, dei um jeito na casa, lavei loça, fiz almoço, lavei as roupas do miguel, passei. No outro dia arrumei ele e fomos no posto tomar vacina sozinhos, depois fui comprar roupa para ele, pegamos o ônibus e voltamos para casa. Pronto estava alegre novamente e nunca mais chorei. Meus pais e meu marido quase me mataram, minha sogra e minha vó falaram muito, mas entre minha mente e meu corpo, primeiro minha mente.
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